Cana-de-açúcar combate o efeito estufa (Jornal da Paraíba 02/04/2007)A cultura da cana-de-açúcar ganhou mais um impulso esta semana com a divulgação de uma grande contribuição ambiental proporcionada pela atividade: a redução expressiva dos gases poluentes que causam o aquecimento global. A constatação, feita por pesquisa que ainda está sendo desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) monitoramento por Satélite, comprovou a alta
capacidade da planta na absorção do carbono lançado na atmosfera, fenômeno já conhecido pelo segmento canavieiro da Paraíba. Conforme o levantamento, a cana é um dos remédios mais eficazes contra o aquecimento global porque armazena 120 toneladas de carbono por hectare, enquanto outras culturas, como soja ou feijão, na mesma área plantada, retêm apenas cinco toneladas. Isso se deve, segundo o presidente da Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba (Asplan), Raimundo Nonato Siqueira, ao crescimento acelerado da planta que, para formar seus açúcares, também precisa absorver grandes quantidades de carbono. “Essa propriedade da cana é fundamental não apenas para o seu desenvolvimento, mas para a própria composição da sacarose, cuja molécula contém seis átomos de carbono”, explicou Nonato. Ele acrescentou ainda que a pesquisa da Embrapa amplia o debate sobre a importância da cultura da cana, cuja contribuição econômica e social é historicamente reconhecida, e que se apresenta agora como importante alternativa em prol do equilíbrio ambiental. “A pesquisa deixa claro que a substituição de parte de uma área com vegetação nativa por um canavial não significa a destruição do equilíbrio natural. Pelo contrário, a cana absorve uma quantidade imensa de gás carbônico lançado na atmosfera e, por isso mesmo é a mais importante cultura que pode amenizar os efeitos do aquecimento global”, segundo afirmou o presidente da Asplan, baseado na opinião do mestre e doutor em Meio Ambiente e coordenador-geral da Embrapa Monitoramento por Satélite, Evaristo de Miranda. Conforme informações de Miranda, publicadas pelo site www.dm.com.br, no último dia 16, o levantamento, que continua sendo desenvolvido na Embrapa, pretende monitorar as áreas plantadas com cana em todo o Brasil, a fim de verificar os efeitos da monocultura a longo prazo, mas ele adianta que o país tem as soluções para amenizar o efeito estufa. “Em São Paulo, Estado que tem o maior número de usinas, já verificamos que são retiradas gigatoneladas do gás carbônico, nas regiões com plantação de cana”, disse. O dirigente da Asplan acredita ainda que a quantidade de carbono absorvida por uma plantação de cana é muito superior à que se joga na atmosfera no processo de queima da lavoura, realizado pelos agricultores no período de colheita – o que resulta em um balanço positivo para o meio ambiente, mesmo utilizando-se as técnicas tradicionais de coleta. O departamento técnico da Asplan estima que a área total destinada ao plantio da cana-de-açúcar na Paraíba, atualmente, é de aproximadamente 100 mil hectares, dos quais 60% correspondem à produção oriunda das usinas e 40% à cana plantada pelos fornecedores independentes.

Nenhum comentário:
Postar um comentário